Compreendendo a Composição da Pílula Anticoncepcional e Acertando na Sua Escolha
A escolha da pílula anticoncepcional ideal é um processo individualizado, que deve considerar as particularidades de cada mulher. Com diversas opções no mercado, entender a composição e os efeitos de cada uma é fundamental para uma decisão segura e eficaz. Conforme informação divulgada pela Dra. Bárbara Murayama, ginecologista e obstetra, o tabagismo associado ao uso de pílulas anticoncepcionais aumenta significativamente o risco de trombos, exigindo cuidado redobrado para mulheres fumantes.
As pílulas anticoncepcionais mais comuns são compostas por dois tipos de hormônios: estrogênio e progesterona. A variação na quantidade e no tipo desses hormônios é o que determina as diferentes características e indicações de cada pílula. Essa diversidade permite que a escolha seja personalizada, visando atender às necessidades específicas de cada mulher, seja para contracepção, controle de acne, cólicas menstruais ou síndrome pré-menstrual.
A consulta com um ginecologista é indispensável para orientar essa escolha. O profissional poderá avaliar o histórico de saúde, estilo de vida e objetivos da paciente, garantindo que a pílula escolhida seja a mais segura e benéfica. A Dra. Bárbara Murayama ressalta que a decisão final deve ser tomada em parceria com a médica, considerando todos os detalhes envolvidos.
O Papel do Estrogênio nas Pílulas Anticoncepcionais
O estrogênio presente nas pílulas pode ser o etinilestradiol, um hormônio sintético, ou o valerato de estradiol, de origem natural. As primeiras formulações continham doses elevadas de etinilestradiol (100 µg), o que podia gerar efeitos colaterais como ganho de peso e enjoos. Atualmente, as doses são significativamente menores, com o etinilestradiol presente em 15 µg, mantendo a eficácia contraceptiva com menos efeitos adversos.
As pílulas de etinilestradiol são classificadas quanto à dosagem: ultrabaixa (15 µg), baixa (20 e 30 µg) e média (35 µg). Nem sempre as doses ultrabaixas são as mais indicadas, pois algumas mulheres podem apresentar sangramentos de escape ou demorar para se adaptar. Essas formulações são frequentemente recomendadas para adolescentes ou mulheres que experimentaram efeitos colaterais com outras pílulas.
O regime de tomada também varia. Pílulas de ultrabaixa dosagem (15 µg) costumam seguir o esquema 24 por quatro, ou seja, 24 dias de uso e 4 dias de pausa. A maioria das pílulas utiliza o regime de 21 dias de uso e 7 dias de pausa. Exceções como a pílula Yaz (20 µg) também seguem o regime 24 por quatro, enquanto a Qlara é de uso contínuo.
Progesterona: A Chave para Efeitos Complementares
A progesterona é o hormônio que confere as particularidades e os efeitos complementares a cada tipo de pílula anticoncepcional. A escolha do tipo de progesterona na composição pode influenciar diretamente na experiência da usuária.
O **levonorgestrel**, uma das primeiras progesteronas utilizadas, possui ação androgênica, podendo aumentar a oleosidade da pele, a acne e o crescimento de pelos. No entanto, pode ser benéfico para mulheres com baixa libido associada ao uso de contraceptivos. Exemplos de pílulas com levonorgestrel incluem Microvlar, Ciclo 21 e Level.
O **gestodeno** tem um efeito androgênico discreto e ação diurética, sendo uma boa opção para mulheres com sintomas leves de inchaço pré-menstrual e acne. Marcas como Micropil, Ginesse, Femiane e Harmonet contêm gestodeno.
O **desogestrel** apresenta um efeito androgênico intermediário, auxiliando no controle de peso e na saúde da pele. Pode ser associado a 20 ou 30 µg de etinilestradiol, encontrado em pílulas como Mercilon e Gracial.
O **acetato de ciproterona**, presente em pílulas como Diane 35 e Selene, possui potente ação antiandrogênica. É frequentemente indicado para o tratamento da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), devido à sua eficácia contra acne, pele oleosa e excesso de pelos.
A **drospirenona**, encontrada em Yasmin e Yaz, também tem ação antiandrogênica e diurética, sendo útil para aliviar o inchaço pré-menstrual. A diferença entre essas pílulas reside na dosagem de etinilestradiol e no regime de tomada.
A **clormadinona**, presente na Belara, oferece ação antiandrogênica sem afetar o apetite sexual, sendo associada a 30 µg de etinilestradiol. Já o **dienogest**, utilizado na Qlara, também tem ação antiandrogênica e é combinado com valerato de estradiol.
Benefícios Adicionais e Considerações Importantes
O uso de qualquer pílula anticoncepcional geralmente resulta na amenização do fluxo menstrual e das cólicas. Algumas formulações foram desenvolvidas especificamente para tratar a Síndrome Pré-Menstrual (SPM), como a Mercilon Conti, que apresenta comprimidos adicionais com baixa dose de etinilestradiol para evitar variações hormonais bruscas e aliviar os sintomas.
A drospirenona, por exemplo, pode melhorar os sintomas da SPM ao atuar no organismo durante os dias de pausa. A escolha da pílula anticoncepcional não deve ser baseada na experiência de outras pessoas, mas sim em uma avaliação médica individualizada. A Dra. Bárbara Murayama enfatiza que a parceria entre a paciente e a ginecologista é crucial para definir a melhor opção contraceptiva.


