Herpes ocular: o que é, sintomas, como é transmitido e se tem cura
O herpes ocular é uma infecção que afeta os olhos, sendo a principal causa infecciosa de baixa visão por lesão na córnea. Causada pelo vírus herpes simples tipo 1 (HSV-1), o mesmo responsável pelo herpes labial, a doença pode apresentar sintomas semelhantes aos da conjuntivite, como vermelhidão, coceira e lacrimejamento.
Estima-se que cerca de 60% das úlceras corneanas sejam causadas pelo vírus herpes simples, atingindo aproximadamente 10 milhões de pessoas no mundo. Conhecida também como “ceratite viral”, sua semelhança com outras infecções oculares, como conjuntivites bacterianas ou fúngicas, torna essencial o diagnóstico por um oftalmologista para o tratamento adequado. As informações são da médica oftalmologista Keila Monteiro de Carvalho.
A transmissão do herpes ocular ocorre pelo contato direto com o conteúdo líquido de lesões ativas presentes nos lábios, olhos ou rosto de uma pessoa infectada, além de gotículas de saliva ou secreção nasal. Mesmo sem sintomas aparentes, o vírus pode permanecer inativo no organismo, mas ainda assim ser transmissível. A infecção pode manifestar-se em um ou ambos os olhos.
Fatores que podem reativar o vírus
Diversos fatores podem desencadear a reativação do vírus herpes simples no olho. Entre eles, destacam-se a exposição excessiva à luz solar intensa, quadros de estresse emocional, a ocorrência de febre e qualquer situação que leve a uma queda no sistema imunológico. Essas condições enfraquecem as defesas do corpo, permitindo que o vírus latente volte a se manifestar.
Principais sintomas do herpes ocular
Os sintomas do herpes ocular podem variar, mas geralmente incluem vermelhidão nos olhos, sensação de corpo estranho, dor ocular, sensibilidade à luz (fotofobia), visão embaçada e lacrimejamento excessivo. Em alguns casos, podem surgir pequenas bolhas ou feridas nas pálpebras, semelhantes às do herpes labial.
Quando o herpes ocular atinge a córnea, a condição é chamada de ceratite herpética. Os sintomas nessa fase são mais graves e podem incluir dificuldade para abrir os olhos, formação de úlceras e cicatrizes na córnea. Sem o tratamento correto, a ceratite herpética pode levar à perda progressiva da visão, sendo fundamental a intervenção médica especializada.
Diagnóstico e busca por ajuda médica
O diagnóstico do herpes ocular é primariamente clínico, realizado por um oftalmologista através do exame das lesões na pálpebra e na córnea. Para diferenciar o quadro de outras infecções, o médico pode utilizar a lâmpada de fenda, também conhecida como biomicroscópio, que permite uma análise detalhada das estruturas oculares. Em alguns casos, pode ser coletado material das lesões para identificar o vírus por meio de cultura viral ou testes moleculares, como a amplificação de ácido nucleico (NAAT).
É fundamental procurar um oftalmologista ao apresentar qualquer sintoma sugestivo de herpes ocular. Apenas um especialista poderá confirmar o diagnóstico e indicar o tratamento mais adequado para cada caso, evitando complicações futuras que podem afetar permanentemente a visão do paciente.
Tratamento e a ausência de cura definitiva
O tratamento para o herpes ocular deve ser iniciado o mais rápido possível e é sempre orientado por um especialista. Geralmente, envolve o uso de medicamentos antivirais, tanto em forma de colírios quanto de comprimidos, para controlar a replicação do vírus e aliviar os sintomas. Medicamentos como aciclovir, ganciclovir e trifluridina são comumente prescritos.
É importante ressaltar que o herpes ocular não tem cura definitiva, pois o vírus permanece no organismo em estado latente e pode ser reativado. No entanto, o tratamento adequado minimiza os episódios, controla os sintomas e melhora a qualidade de vida do paciente. Complicações como cicatrizes na córnea, que podem causar visão turva permanente, e inflamação intraocular são possíveis se a doença não for tratada corretamente, exigindo manejos prolongados e específicos.


